terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Ao Amor Antigo



O amor antigo vive de si mesmo,
não de cultivo alheio ou de presença.
Nada exige nem pede. Nada espera,
mas do destino não nega a sentença.

O amor antigo tem raízes fundas,
feitas de sofrimento e de beleza.
Por aquelas mergulha no infinito,
e por estas suplanta a natureza.

Se em toda parte o tempo desmorona
aquilo que foi grande e deslumbrante,
a antigo amor, porém, nunca fenece
e a cada dia surge mais amante.

Mais ardente, mas pobre de esperança.
Mais triste? Não. Ele venceu a dor,
e resplandece no seu canto obscuro,
tanto mais velho quanto mais amor.

Carlos Drummond

Vamos falar de amor!

Falar de amor
É como lamber nos dedos, o chocolate derretido no calor da boca;
Fechar os olhos e desejar mais...
Falar de amor
É arrancar um grito de emoção e surpresa daquele a quem se ama...
É curtir as coisas
Simples do dia-a-dia...
Falar de amor
É ver no sonho a possibilidade de realização
E com ela sonhar mais e mais...
Falar de amor
É crer na vida, na poesia, fazer laços de vento, sorver a luz do sol,
E deixar pulsar o coração...
Falar de amor
É não dizer nada, ao telefone, apenas respirar num só compasso
E do outro lado sentir quase o perfume...
Falar de amor
É ver, nas nuvens, um rosto
A desfazer-se em chuvas, que dão vida à natureza
Envolvendo-a no frescor do orvalho que amanhece...
Falar de amor
É sentir, no dia que nasce, toda a energia do universo infinito
E roubá-la, ao inspirar...
Falar de amor
É crer na beleza: do mundo, das coisas, dos sonhos.
Falar de amor
É ser feliz na certeza, ainda que breve,
De um doce momento de felicidade!
(Autor desconhecido)

domingo, 24 de fevereiro de 2008

Mais uma data...

Já estou como aquela que pede desculpas aos moços, porque hoje é dia de falar das moças. ;-)
Hoje vou-me dedicar a minha Amiga. Não porque é o dia da mulher, nem tão pouco o dia das amigas, mas porque tão simplesmente, é o dia do seu aniversário...
Ultimamente temos partilhado bastante, bastantes lágrimas, bastantes gargalhadas, carinho, cumplicidade e acima de tudo tentamos compreender uma a outra, pra verdadeiramente nos apoiarmos... Essas coisas boas que só acontecem entre amigas.

Dizem que a vida apresenta-nos milhares de pessoas e que cada uma delas vem cumprir um papel connosco. Entre nós isso é mais do que verdade... Muitas vezes cruzávamos nas escadas do prédio e nada passava do “bom-dia” ou “boa-tarde”. Sim, o ponto de encontro era nas escadas (rs) aquelas coincidências que se combinado não conseguiríamos. Então, um dia a coincidência não podia ter sido maior: ela foi trabalhar para a mesma empresa que eu! E aos poucos selamos essa amizade,... de ficar nas nossas memórias, nas nossas bijuterias, nas nossas fotos, nos nossos guardados.

Para a memória desta data fica a festa surpresa que preparamos pra ti! Divertimo-nos imenso a tramar, a empatar-te, a afastarmos-te de casa para os preparativos... Mas tu és mesmo uma “cuscus”!! E os báfos que levamos nesse dia, pelo teu especial humor. (rs) – Taditos dos meus filhos!! No final, o divertimento, os abraços, os beijinhos, as lágrimas... e a verdade descoberta! (rs)

À ti minha amiga, um Feliz Aniversário e que esta data venha sempre com tudo de bom do que a vida contém, que tenhas muita saúde e amigos também. “jocas godas”!

Aniversário da Avó

Uma postagem especial para a minha Avó, no dia dos seus 80 anos. Muitos abraços, os pratos preferidos da Avó,... (rs) e muitas dúvidas entre os netos em qual seria o seu lugar na fila pros beijinhos (rs)!!


“Mãe! Mãezinha querida,

Hoje é um dia de muita alegria, um dia especial, são 80 anos, Mãe! Uma vida de muita luta, tristeza, desespero, mas também de muita alegria, afinal nós nascemos de si, só isso já é motivo de muita alegria. Os seus filhos, foi a recompensa Divina pela sua luta, e aqui estamos para compartilhar consigo os momentos bons e maus.
Hoje é uma dia de muita emoção, lágrimas rolarão mas faz parte do momento, é inevitável.

Ao comemorarmos estas datas, não conseguimos deixar de pensar nas pessoas queridas que já não estão entre nós fisicamente, embora possamos sentir sua presença, em qualquer momento das nossas vidas.

Mãe, sempre foste uma mãe maravilhosa, uma mãe corajosa e sempre disposta a ajudar e a proteger os seus filhos. Grandes momentos, maravilhosos e tristes passamos. Foram muitos os dissabores, mas sempre conseguimos superar e mantermo-nos unidos.

Mãe, criaste uma família, embora pequena, mas de grande valor, sem nome, mas com uma coroa de realeza, Maria Mãe. Nós somos a tua família, teus filhos, netos, bisnetos e outros familiares, que contigo hoje compartilham esta data maravilhosa.
Mãe, 80 anos é uma vida!!
A vida é como um cofre, só que com muitos mais números. Existe uma combinação correcta de pensamentos e acções que levam a conseguirmos quase tudo que realmente quisermos e cada um de nós pode descobrir esta combinação se nos dedicarmos a procurar. É um destino real, esse destino que não faz perguntas e não aceita réplicas.

É bom sabermos que a Família é muito importante, uma das maiores preciosidades que cada um de nós tem. Uma família unida é o nosso refúgio, desabafo e amparo. Por isso, é tão importante que o amor de Deus esteja sempre presente em nossas vidas e lares, como sempre nos ensinaste. Com as bênçãos Divinas, a harmonia reina e reinará sempre em nós.

Fomos feitos pelo amor e para o amor. Amar é a essência da vida.
Muita gente, porém, pensa que o amor é tão somente um sentimento que brota de forma natural, sem que seja necessário fazer coisa alguma. Não é verdade! Amar é, antes de tudo, um acto de vontade. É necessário querer amar. É preciso tomar a decisão de amar de expressar amor pelas pessoas com quem convivemos. Precisamos traduzir o amor em gestos e palavras. Amar é antes de tudo, um acto de vontade.
Mãe! Nós amamos-te e desejamos-te muitas felicidades, saúde, amor e paz.

Muitos parabéns, Querida Mãe!”

Natália Sampaio
Aniversário de sua Mãe
17/02/2008

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Amanda & Amorel


Lembram-se desta mensagem? Para alguns já partilhei por mail. Eu sei, faz muito tempo. Mas quando uma amiga me diz que “tudo acabou” meio desanimada, meio desiludida, lembro-me sempre desta mensagem. Por isso, àqueles que estejam a passar por uma fase de fim... talvez seja o início de uma nova fase. Este é o mês do Amor... Nunca percam as esperanças.


Era uma vez um anjinho chamado AMOREL, muito distraído, que recebeu uma incumbência de Deus:
- AMOREL, acabo de inventar os humanos. Eles estão classificados como homem e mulher, cada um tem o seu par e já estão todos alinhados de par em par. Pegue esta bandeja de humanos e leve para que eles habitem a Terra.

Amorel ficou contente pois, há muito tempo, o Senhor não o chamava para tão nobre trabalho. O anjinho pegou a bandeja e ao virar uma esquina lá no céu, trombou com uma anjinha chamada Amanda.

A bandeja voou longe, e todos os casais de humanos se misturaram. Amorel e Amanda ficaram desesperados e foram contar para Deus o ocorrido e o Senhor falou:

- Vocês derrubaram, vocês juntarão!

Porém, parece que Deus se esqueceu que os anjinhos eram distraídos. E é por isso que a cada dia os casais se juntam e se separam. Os dois anjinhos, trabalham incessantemente para que os casais originais se encontrem.

O trabalho é muito difícil, tanto é, que por muitas vezes eles juntam casais errados, pois os humanos espalhados ficam inquietos e cobram o serviço dos anjinhos, o tempo todo.
Quando os humanos se mostram muito desesperados, os anjinhos unem dois desesperados, mas logo depois percebem o engano e os separam, e por muitas vezes, esta separação é brusca e dolorosa.

Recebi um bilhete dos dois anjinhos e vou mandar para si agora:

" Se é um humano, queremos pedir desculpas pela nossa distracção, pois errar não é só humano! Estamos a trabalhar com empenho, porém, sempre a contar com a ajuda de vocês. Não se desesperem, mas também não se isolem.
Tentem mostrar-se como são realmente, pois a medida que cada um mostrar o que é de verdade, vai tornar o nosso trabalho mais fácil.

Aproveitamos a oportunidade, para nos desculpar pelas separações abruptas, sabemos que elas geram muito transtorno, mas se nós o separamos de alguém, é porque em algum canto vimos alguém bem mais parecido, e por isso precisamos isolá-lo para facilitar o encontro. Fiquem com Deus.

Um beijo

Amorel e Amanda"

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Meu amor da Rua Onze


Tantas juras nós trocámos,
Tantas promessas fizemos,
Tantos beijos nos roubámos
Tantos abraços nós demos.

Meu amor da Rua Onze,
Meu amor da Rua Onze,
Já não quero
Mais mentir.

Meu amor da Rua Onze,
Meu amor da Rua Onze,
Já não quero
Mais fingir.

Era tão grande e tão belo
Nosso romance de amor
Que ainda sinto o calor
Das juras que nós trocámos.

Era tão bela, tão doce
Nossa maneira de amar
Que ainda pairam no ar
As promessas que fizemos.

Nossa maneira de amar
Era tão doida, tão louca
Qu’inda me queimam a boca
Os beijos que nos roubámos.

Tanta loucura e doidice
Tinha o nosso amor desfeito
Que ainda sinto no peito
Os abraços que nós demos.

E agora
Tudo acabou
Terminou
Nosso romance

Quando te vejo passar
Com o teu andar
Senhoril,
Sinto nascer
E crescer
Uma saudade infinita
Do teu corpo gentil
De escultura
Cor de bronze,
Meu amor da Rua Onze.

Aires de Almeida Santos

Romance

Stela era a minha pequenina namorada
nos tempos da minha infância descuidada!
Para colher o nascer do sol que tinha na boca
eu corria as barrocas e os areais vermelhos do meu bairro
e lutava assanhado com outros miúdos brancos e pretos.
De noite, quando havia muitas estrelas
e o céu era um buraco muito escuro
eu deitava-me na areia vermelha e quente do meu bairro
e no seu colo de menina
ficava calado a sentir o tempo passar.

O miúdo Artur cobiçava-ma
e que dor grande me doía cá dentro
se os via juntos a falar.
Uma vez, numa noite, de mãos dadas,
sentindo o vento molhado do tempo das chuvas,
eu disse-lhe apontando para o alto:
aquela é a minha estrela, qual é a tua?
E todas as noites
ficávamos deitados naquela minha rua antiga do Musseque Braga
e espiar as estrelas que brincavam no céu.

Stela era a minha pequenina namorada
nos tempos da minha infância descuidada!

Por ela eu lutava com sardões de todos os tamanhos,
subia cajueiros impossíveis de subir
e era sempre o primeiro nas corridas.
Ela dava-me os santos que escondia de todos
como se fora o tesouro da ilha dos piratas.
E eu ficava muito sério como quando me batiam.
Um dia a minha pequenina namorada deixou o meu bairro.
Nesse dia não corri, não lutei,
não subi aos cajueiros do Musseque Braga
e os outros miúdos mais novos disseram: está doente.
E às noites, sozinho, procurei as duas estrelas
e chorei como se tivesse apanhado
a maior tareia da minha vida!
Stela era a minha pequenina namorada
nos tempos da minha infância descuidada!

António Cardoso